Academia de Linguagens e Belas Artes

O programa funcional da Academia de Linguagens e Belas Artes (ALBA) deverá ser acolhido em um conjunto de edificações independentes, rejeitando uma implantação em único bloco pavilhonar; tal estratégia de organização do programa tem como objetivo uma melhor adaptação do projeto da Academia à geometria do terreno que virá a ser adquirido para a construção do empreendimento. A pulverização do projeto em blocos espaçados viabilizará uma construção em etapas, diluindo o investimento da obra ao longo do tempo. O programa cultural do Alba é constituído por salas de aulas, oficinas, biblioteca, cinema e laboratório de informática.

A implantação, um jogo de cheios edificados e vazios entre arquiteturas, evoca o espaço fluído e dinâmico de uma cidadela com suas vielas, esquinas, largos e empraçamentos. As áreas livres, de um caráter coletivo, poderão absorver reuniões, ensaios, exposições entre outras atividades culturais. Os usos conferidos às arquiteturas poderão “transbordar” para o espaço aberto, promovendo a interação entre alunos, professores e comunidade.

Ao observarmos a arquitetura vernacular da região costeira sergipana podemos detectar soluções construtivas que adaptam as edificações ao regime climático quente e úmido típico da região. É recorrente detectarmos nessa área litorânea construções circundadas em todo o seu perímetro por avarandados que protegem essa arquitetura do excesso de incidência solar. O perímetro coberto protege ainda as janelas, permitindo que essas permaneçam abertas mesmo em tempos chuvosos, conferindo conforto térmico ao interior do espaço construído.

Abrigos executados em estruturas porticadas de madeira com fechamentos em tramas de fibras vegetais são regularmente encontrados no litoral sul do estado. Essa arquitetura, de certo caráter rudimentar, expõe materialidades próprias da região e a maneira com a qual os habitantes dessas cercanias se apropriam de tais recursos naturais de grande potencial estético.

Vale destacar a produção recente promovida pelo IPTI – Instituto de Pesquisas em Tecnologia e Inovação – que aproxima a técnica de trançados de palha típicas da região com o trabalho de designers renomados nacionalmente, conectando materiais e manufaturas tradicionais com soluções de desenho com forte apelo estético contemporâneo.

O projeto das edificações que constituirão a Academia de Linguagens e Belas Artes terá como base uma unidade modular caracterizada por um núcleo edificado em blocos de concreto aparentes contornado por avarandados nas suas quatro faces. No sentido predominante da ventilação (faces leste e oeste) deverão ser utilizados blocos vazados, permitindo uma ventilação cruzada permanente.

O telhado será executado em estrutura de madeira recoberta por telhas metálicas sanduíche com isolamento térmico e acústico. Sob essa cobertura, há a previsão de forro de madeira (OSB). A estrutura da cobertura será apoiada no núcleo central de alvenaria e em pilares localizados em duas das faces do avarandado. Esse pilares receberão uma estrutura secundária para fixação de um tramado de gravetos de madeira (brises-soleils).

O projeto da ALBA associa soluções espaciais e recursos materiais característicos da arquitetura vernacular com tecnologias construtivas modernas, conferindo uma estética arrojada e contemporânea às soluções tradicionais com forte identidade local.

  • Ano: 2017
  • Localização: Santa Luzia do Itanhy, SE | Brasil
  • Autores: Arquitetos Rodrigo Lacerda, Guile Amadeu e Diego Régis
  • Equipe: Ítalo Sérgio e Cassiano Silveira
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