Praça no Crasto

O projeto para uma praça no povoado do Crasto propõe a criação de um espaço de lazer cultural e esportivo inédito nesse vilarejo pesqueiro localizado no litoral sul de Sergipe. O projeto cuida ainda da resolução de questões referentes à acessibilidade, interconectando o empraçamento desenhado ao entorno construído pré existente.

Como premissa de trabalho houve a conservação de uma considerável área livre para atividades de jogos, brincadeiras e eventos do vilarejo. Na cota mais alta da área de intervenção, de maneira a reforçar o hábito cotidiano das conversas e encontros nas portas de casa, há o desenho de um platô linear como uma extensão das soleiras do casario que se volta para esse espaço livre na cidade. Define-se, então, uma área de transição entre os espaços privativos e o empraçamento público; local de estar, recreação e de interação entre vizinhos.

Em uma das extremidades do platô, protegido da maior queda do talude e próximo das residências, há a locação de um espaço que pode acomodar uma área para secagem de pescados, atividade exercida em comunidade no espaço público.

São previstos dois eixos principais de circulação: um que preserva o caminho que cruza o empraçamento seguindo a “linha do desejo” da circulação cotidiana dos moradores do Crasto e um outro que se estabelece via um rampado que garante acessibilidade entre a cota mais baixa e a mais alta da praça.

A geometria do platô onde se localiza o novo abrigo do “Poço de Jacó” aproveita um alicerce em pedras presente nessa área, “reciclando” de maneira efetiva e simbólica essa preexistência.

De maneira suplementar, o escritório de arquitetura propôs uma marquise disposta transversalmente ao sítio de projeto que pode, eventualmente, suportar equipamentos de iluminação, projetores e artefatos cênicos, transformando o espaço sombreado da marquise em um equipamento cultural de caráter público.

A inserção desse objeto arquitetônico adequa esse espaço livre da cidade à realização de eventos culturais públicos ao ar livre. Encenações teatrais, projeção de filmes, exposição de artes, feiras livres são algumas das atividades que podem ser auxiliadas por essa estrutura.

Sua linguagem arquitetônica evoca uma materialidade e desenho contemporâneos, criando uma aproximação com o conceito de “obra de arte” utilizado na engenharia; arquitetura enquanto objeto tecnológico e infra estrutural. Além disso, alimenta o imaginário do morador do Crasto com novas referências construtivas e formais.

Elementos construídos em concreto aparente (pisos, muros de arrimo, bancos, marquise) podem receber gravações em baixo relevo a partir da associação de produtos típicos da artesania local (esteiras, entalhes em madeira, entre outros) às formas de concretagem. No processo de desforma das peças cimentícias haverá um registro, como em um memorial, das habilidades manuais da população do Crasto e das matérias primas típicas da região.

A estrutura de concreto da marquise poderá funcionar como uma caixa cênica, suportando a fixação de cenários, coxias, rotundas e cortinas. Sua forma angulada serve para potencializar a propagação do som, cumprindo uma função de concha acústica. A escada que se projeta para frente do alinhamento da marquise configura uma espécie de proscênio, dividindo o palco do espaço destinado à plateia.

A área sob a marquise transversa pode funcionar também como uma cabine de comando para projeção de cinema: na sua estrutura de concreto podem ser fixados projetores, caixas de som entre outros equipamentos. As escadarias com seus planos em desnível possuem a capacidade de acolher parte da plateia espectadora da projeção cinematográfica. Completando o aparato para a realização de sessões de cinema ao ar livre é necessário que seja esticada uma tela de projeção na área gramada do empraçamento, como uma estrutura efêmera.

A área protegida sob a marquise pode ainda acolher exposições de artes, artesanato e objetos de design fazendo uso da infraestrutura de iluminação acoplada à marquise.

Projeto da Praça no Crasto foi desenvolvido em parceria com a equipe do NUP – Núcleo de Projetos do curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Tiradentes

  • Ano: 2016-2017
  • Localização: Povoado do Crasto, Santa Luzia do Itanhy, SE| Brasil
  • Autores: Arquitetos Rodrigo Lacerda e Guile Amadeu
  • Equipe: Ítalo Sérgio, Bárbara Souza, Cassiano Silveira e Clara Barretto; Coordenação do NUP: Arquiteta Dora Diniz; Projetos complementares: Juan Carlos Cordovez, José de Castro Serra, Adriano Linhares e Josefran Amorim
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