Projeto

Orla Ilha do Ouro

Vencedor na Premiação IAB – SE 2023 – Edição Premiação Wellington Costa

A proposta aqui apresentada visa a mediação entre o tecido urbano do povoado da Ilha do Ouro e a margem do Rio São Francisco através de uma intervenção estratégica, objetivando o atendimento das demandas da população local, do fomento ao turismo, bem como a proteção do corpo d’água e de suas áreas de várzea.

Essa mediação parte de um estreito entendimento das áreas ocupadas (cheios edificados) e das áreas livres (vazios), das relações desse espaço de intervenção com as paisagens envoltórias (naturais e antrópicas), dos desníveis, dos caminhos de pedestres, das espécies arbóreas, das atividades de lazer, desportivas e econômicas que ali ocorrem. A ideia central que rege o desenvolvimento desse Estudo de Viabilidade se refere a uma equalização entre o que e como construir – fornecendo a infraestrutura que garanta o conforto ao desenvolvimento das atividades que ali já acontecem espontaneamente e as que podem vir a acontecer – e a consolidação do vazio – preservando o que perdurou, através da história, de uma geografia e paisagem remanescentes do ambiente original.

Para a constituição dessa praça inclinada, se faz necessária a demolição dos dois volumes edificados dos restaurantes ali existentes. A pequena praça de acolhimento se conecta, ainda, a dois platôs um que se estende a um deck-mirante e um outro, em meio nível, que faz uma articulação de cotas com a praça inundável. Esse platô serve como um campo de interface entre eixos de circulação, de caminhos, bem como acolhe atividades de lazer e desportivas: há a previsão da locação de parquinho infantil e a preservação de uma área para o jogo de bola e brincadeiras em equipes, atividade que naturalmente já acontece nesse nível. Principalmente nesse platô, os mobiliários e guarda-corpos deverão ser executados em materialidade robusta, em pedra e concreto, visando uma alta resistência ao contato com as águas das enchentes e, por isso mesmo, uma baixa manutenção ao longo do tempo.

Do reconhecimento de quatro cotas pré-existentes – nível da Rua, nível do platô dos restaurantes existentes, nível do platô alagável e nível do platô do leito do Rio São Francisco – o Estudo de Viabilidade propõe uma gradação, uma ordenação progressiva que busca intermediar a cota de intervenção mínima ou nula – platô do leito do Rio – à área que pode receber o maior grau de intervenção da proposta, correspondente a cota do platô dos restaurantes existentes e a cota junto à Rua. No nível da Rua, é prevista uma pequena praça de acolhimento e a expansão transversal da calçada existente, onde encontraremos bancos e espécies arbóreas para sombreamento, assegurando um uso confortável daqueles que param para descansar nesse trecho da urbanização.

Como uma conexão entre a pequena praça de acolhimento e o platô imediatamente abaixo é proposto um plano inclinado que conecta, com suavidade, essas duas cotas. Esse plano inclinado obedece a uma inclinação sutil, menor que 5%, configurando uma praça linear levemente inclinada que atribui acessibilidade entre cotas sem configurar, exatamente, uma rampa.

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